terça-feira, 8 de abril de 2014

Jovens e adolescente de São Luís e Paço do Lumiar,Confirmam participação em "rolezinho" no Shopping Rio Anil.

Por meio do Facebook, adolescentes e jovens do município de Paço do Lumiar e São Luís agendaram para este sábado dia (12) o chamado "rolezinho" no Shopping Rio Anil, a partir das 14h00. O movimento é contra a decisão da Juíza auxiliar da 1ª Vara Cível da capital, Lívia Maria Costa Aguiar, que decidiu restringir a entrada e permanência de menores de 18 anos sem a presença do pais ou responsável no shopping. Vários adolescentes e jovens já confirmaram presença no evento, que é definido como “DEIXA A JUVENTUDE PASSAR”.

De acordo com um dos organizadores do evento Clayton Collins, o jovem não pode ser marginalizado, pelo estilo de roupa; pelas músicas que escuta, e muito menos pelo local onde mora. A democracia deve prevalecer sempre. O jovem do Maranhão já é discriminado em tudo, e impedido dos seus direitos mais básicos. Por tudo isso - DEIXA A JUVENTUDE PASSAR, finalizou Clayton em sua pagina do Facebook.

O evento também conta com o apoio da UJS – União da Juventude Socialista, que também está organizando sua militância para estar presente no evento.

O presidente da UMESP – União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Paço do Lumiar, o jovem estudante Rilton Silva se pronunciou a respeito do evento criado nas redes sócias, e disse que a sociedade não pode condenar o movimento como pratica de crime, que ninguém vai ao Shopping pra roubar, segundo ele a maioria dos jovens vão pra se divertir, e que infelizmente o evento ganhou um cunho negativo e passou a ser marginalizado. "É triste ver a hostilidade com que muitas pessoas ainda veem os rolezinhos e quaisquer outras formas de a periferia ocupar os espaços cultural e economicamente estabelecidos como pertencentes às classes mais favorecidas", argumentou.



Desde dezembro de 2013 um assunto vem sendo muito debatido em toda a mídia brasileira e, consequentemente, discutido por vários setores da sociedade: os “rolezinhos” nos shoppings dos centros urbanos. Jornais televisivos e impressos, revistas, blogs e redes sociais levantam várias questões sobre a polêmica, explicando como o movimento surgiu, mostrando quem são seus personagens, seus objetivos e intenções e dão voz (alguns, não todos, infelizmente) aos dois lado da moeda: aos jovens das periferias e aos empresários do comércio privado que são estes centros comerciais.

"O Rolezinho".

A gíria não é nova. “Dar um rolê” ou “dar um rolezinho” são expressões já comuns em vários espaços urbanos e expressam a prática de passear pela cidade, divertir-se. A diferença dos atuais rolezinhos é que eles estão sendo programados a partir de redes sociais, reunindo centenas (ou milhares) de jovens e dirigindo-se aos shoppings centers. Os rolezinhos começaram a ser chamados por MCs após surgir um projeto de lei na Câmara dos Vereadores de São Paulo que pretendia proibir a realização de bailes funk na cidade. O projeto foi vetado pelo prefeito Fernando Haddad, mas os rolezinhos não pararam por aí.
A maioria desses jovens vive nas periferias das cidades. Ao chegarem aos centros comerciais, eles passeiam pelos corredores e praças de alimentação, paqueram, tiram fotos, cantam e executam alguns “passinhos” utilizados nos bailes funk.
A maioria veste-se com roupas de grifes famosas, seguindo um padrão comportamental difundido ultimamente nos centros urbanos paulistas ligado ao chamado “funk ostentação”. Essa derivação do gênero musical expressa em suas letras e nas vestimentas de MCs, dançarinos e demais participantes a intenção do consumo crescente: falando de dinheiro, carros, aquisição de diversos tipos de mercadorias de uso pessoal, fazendo apologia a marcas famosas e enfatizando a sexualidade de mulheres e homens.
ntretanto, o fenômeno não vem sendo tratado apenas através dos mecanismos econômicos do capitalismo. Do mesmo modo que ocorreu com as manifestações de junho de 2013, a repressão policial aos rolezinhos – e agora também das administrações dos shoppings centers, com sua polícia privada – fez com que o fenômeno tomasse um âmbito bem maior que o inicial, passando a ser um assunto nacional. A preocupação dos administradores está ligada ao fato de os “rolezinhos” possuírem uma grande “potencialidade” de se transformarem em “arrastões”, resultando em furtos aos lojistas dos centros comerciais.
Além disso, os administradores desses estabelecimentos argumentam que os rolezinhos colocam em risco a segurança de trabalhadores, lojistas e clientes que frequentam esses locais. Com esses argumentos, alguns shoppings centers conseguiram liminares judiciais para impedir a realização dos rolezinhos, sendo possível a aplicação de multa aos que infringirem a decisão judicial.
Por outro lado, os rolezinhos levantaram um debate intrínseco à estrutura social brasileira, que é a discriminação social e racial. Os jovens pobres das periferias — negros, em sua maior parte — estão sendo impedidos de entrarem coletivamente nos templos de consumo em que se transformaram os shoppings centers. A crítica é que as administrações dos shoppings, com o apoio policial, estão segregando e discriminando social e racialmente esse setor da sociedade brasileira, reproduzindo, dessa forma, o racismo que sempre esteve presente na história do Brasil.
A ministra Luiza Bairros chegou a afirmar que o medo dos rolezinhos é uma reação dos brancos que frequentam os shoppings, derivado do racismo que há na sociedade brasileira. O que estaria ocorrendo seria uma espécie de apartheid nos shoppings centers, em alusão ao regime de segregação racial que vigorou na África do Sul durante o século XX.
Há a preocupação de que a repressão aos rolezinhos incendeie novamente o país, como ocorreu em junho de 2013. Se em 2013 as manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus mantiveram sua força durante os jogos de futebol da Copa das Confederações, a preocupação agora é que os rolezinhos sejam um prelúdio para manifestações contra a realização da Copa do Mundo. Evitar essas manifestações é uma das principais preocupações do governo federal.
Para alguns, os rolezinhos seriam uma forma de os jovens garantirem seu direito à cidade, subvertendo as imposições colocadas por autoridades públicas e empresas privadas, reutilizando esses locais de acordo com seus interesses. Tamanha reação em relação aos rolezinhos pode ser entendida também como uma profanação dos templos de consumo, ilhas de suposta segurança encravadas em uma sociedade extremamente violenta e desigual.
Os participantes dos rolezinhos podem querer apenas consumir e se divertir. Entretanto, os administradores e utilizadores desses espaços não estão vendo com bons olhos a invasão dos templos pela camada da sociedade brasileira que teve um aumento de renda durante a década de 2000 e 2010, entrando maciçamente no mercado de consumo. Os rolezinhos são a expressão das contradições da sociedade brasileira em movimento, mas ainda sem solução à vista.



Jovens e adolescente de São Luís e Paço do Lumiar,Confirmam participação em "rolezinho" no Shopping Rio Anil,contara a decisão de liminar da Juíza auxiliar da 1ªVC da capital,Lívia Maria.